Filme é estrelado por Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland e grande elenco Poucos diretores conseguem transformar uma ida ao cinema em um acontecimento. Christopher Nolan é um deles. E A Odisseia talvez seja a maior prova disso.
Não apenas pelo tamanho da produção ou pela escala da história que adapta, mas porque entende como o cinema também é uma experiência física. É um daqueles filmes que parecem ocupar a sala inteira. O som atravessa o corpo, a trilha faz o peito vibrar e, quando tudo se junta, a sensação é de assistir a algo que dificilmente poderia existir da mesma forma em qualquer outro lugar que não fosse uma tela gigante.
Baseado no clássico poema de Homero , o longa acompanha o rei Odisseu ( Matt Damon ) em sua longa jornada de volta para Ítaca depois da Guerra de Troia. Pelo caminho, ele enfrenta monstros, tempestades, deuses e todo tipo de provação enquanto, do outro lado do mar, a esposa Penélope ( Anne Hathaway ) e o filho Telêmaco (Tom Holland) resiste à pressão de inúmeros interessados no trono, que acreditam que o rei jamais voltará para casa.
Como é característico do cinema de Nolan, a narrativa não segue uma ordem linear, alternando tempos e acontecimentos sem jamais perder a clareza. Pelo contrário: a montagem faz uma história que atravessa décadas fluir com uma naturalidade impressionante. Embora seja um épico gigantesco, A Odisseia nunca tenta impressionar pelo excesso.
Não há aquela obsessão por enquadramentos grandiosos ou por imagens que parecem existir apenas para virar papel de parede. Tudo é surpreendentemente sóbrio. A fotografia privilegia paisagens áridas, figurinos que não chamam atenção e personagens marcados pela guerra.
Apesar da escala, o longa ainda consegue encontrar a intimidade daqueles personagens. Se existe um elemento que constantemente rouba a cena, porém, é o som. O desenho sonoro aqui é de tirar o folego.
Há momentos em que as ondas parecem atravessar a sala, batalhas fazem o assento vibrar e a trilha de Ludwig Göransson cresce até provocar uma verdadeira catarse. É um trabalho extraordinário, que transforma várias sequências em experiências sensoriais muito antes de serem apenas cenas de ação. E não faltam momentos memoráveis.
O ataque de Troia usando o famoso cavalo de madeira é de uma brutalidade impressionante. O encontro com o Ciclope ( Bill Irwin ) transforma uma simples caverna em um cenário de puro suspense antes de explodir em uma perseguição angustiante pela floresta. Já toda a passagem pela casa de Circe ( Samantha Morton ) mergulha o filme em um horror quase grotesco, com imagens perturbadoras que estão facilmente entre as mais assustadoras já dirigidas por Nolan.
Homens carregados pela culpa parecem um interesse genuíno de Nolan na hora de contar uma história. Em A Odisseia , não seria diferente. Seu Odisseu está longe do herói inabalável das lendas.
É um homem consumido pelas perdas e pelas consequências de decisões tomadas durante a guerra. A jornada deixa de ser apenas uma aventura
Resumo traduzido a partir da publicação original de Legião dos Heróis. Leia a matéria completa na fonte.



