A Netflix tentou surfar na onda de comédias esportivas de sucesso, como Ted Lasso, ao lançar sua nova aposta: The Hawk. Estrelada pelo consagrado Will Ferrell, a produção acompanha a jornada de Lonnie "The Hawk" Hawkins, um ex-campeão de golfe decadente e extremamente egocêntrico que tenta recuperar seus dias de glória. No entanto, a primeira temporada falha em entregar a energia e o carisma necessários para cativar o público.
Por se passar no universo do golfe e trazer uma lenda do Saturday Night Live no papel principal, é quase impossível não comparar o seriado ao clássico Um Maluco no Golfe, de Adam Sandler. O elenco de apoio ainda conta com grandes nomes do humor, como Molly Shannon, Fortune Feimster e Luke Wilson, além de boas atuações de Jimmy Tatro e Shannon Dee. Mesmo com esse time de peso, a produção patina em uma narrativa arrastada ao longo de seus dez episódios.
Um tom confuso entre o drama e a piada
O grande problema de The Hawk reside na sua incapacidade de equilibrar os momentos dramáticos com a comédia escrachada. A série tenta construir uma jornada de superação emocionante para Lonnie, mas as piadas parecem deslocadas e quebram qualquer conexão emocional que o espectador pudesse desenvolver. O resultado é um híbrido caótico que não funciona nem como um drama focado em personagens, nem como uma comédia pastelão eficaz.
O protagonista interpretado por Ferrell exibe o mesmo talento natural e comportamento disruptivo que já vimos em tantos outros personagens do gênero, fazendo com que a premissa soe reciclada. Em vez de abraçar o formato clássico de uma sitcom episódica, a Netflix optou por uma narrativa linear que se desgasta rapidamente. No fim das contas, a produção acaba parecendo um quadro do SNL excessivamente longo e que perdeu o tempo da piada.
Futuro incerto na Netflix
Embora o desfecho da temporada deixe ganchos claros para uma continuação, o futuro de The Hawk na gigante do streaming permanece incerto. Sabendo do histórico da Netflix em cancelar produções que não alcançam números expressivos, uma renovação precisará de muito esforço criativo. Se a série ganhar uma nova chance, os roteiristas terão o duro trabalho de dar uma identidade própria ao show e finalmente fazê-lo sair da sombra de seus concorrentes.



